Estou para conhecer um cinéfilo que não goste de filmes B. Se não gosta de pelo menos um, é porque não gosta ou não conhece a história do cinema. Classificados em geral como ruins, os filmes B são nada mais nada menos do que filmes de baixo orçamento. Malditos e mal vistos durante anos, esses filmes mais simples, nem sempre tinham o resultado mais tosco, como é de se imaginar, ainda mais se compararmos com as bombas milionárias que tem sido feitas nos últimos anos.
Muitas vezes renegados ao esquecimento, vários filmes-B acabaram ganharam o status de cult com o passar dos anos. Tiveram remakes, ganharam homenagens em festivais, foram usados como teses, viraram favoritos entre muitos cinéfilos, e acabaram sendo a inspiração de muitos cineastas consagrados (Tarantino que o diga).
Os filmes-B tiveram seu auge durante os anos trinta e quarenta através dos seriados exibidos antes dos filmes principais, por assim dizer. Em sua maioria eram séries de faroeste, ficção científica, ação e suspense, já que a idéia principal era manter a tensão no final de cada um dos curtos episódios, para fazer o público retornar na semana seguinte para conferir o desfecho. Vale lembrar que é também na década de 30 foram realizados vários clássicos longas do cinema de terror.

Na década de 40 surgem os meus filmes-B preferidos: os Filmes noir. Cheios de estilo, com sombras pronunciadas, femmes fatales, investigadores, mistério e baseados em livros Pulp de suspense, os filmes noir continuam sendo um dos movimentos mais elegantes da história do cinema para mim. Ainda que repletos de personagens inescrupulosos, a fotografia e o desenvolvimento fazem com que tudo pareça bonito naquele majestoso mundo em preto e branco. A morte neles é mais bonita, as mulheres sem caráter alguns são sempre maravilhosas, e não importa quão baixo chegam os personagens, porque o enquadramento deixa tudo perfeito.
Os noir deram tão certo que continuaram a ganhar as telas ao longo das décadas. Os grandes estúdios começaram a fazer suas versões de filmes noir ainda na década de 40, e hoje há ótimos exemplos de neo-noir.Muitas vezes coloridos, mantiveram a fotografia elegante, as femmes fatales e o mistério em torno de seus personagens, que vão perdendo a inocência ao longo do filme. Para saber mais sobre eles confiram o blog Film Noir of the Week, o podcast Out of the Past: Investigating Film Noir, e os posts Film Noir Illustrations, Out of the Past: podcast e Os cartazes franceses do cinema noir americano.
Nos anos 50 as séries vão perdendo o impacto, devido a força que a televisão ganha. E filmes-B se estabelecem como longas desses gêneros populares, muitas vezes em versões 3D. Entre as produções ganharam força também os sexploitation, que já eram realizados desde a década de 30, vide Reefer Madness e Sex Madness. Esses filmes exploravam o tema sexo das mais diferentes maneiras, e absurdas devo dizer. Eles vinham até em forma de documentários, usando a desculpa de educativos para mostrar moças, e em alguns casos rapazes, com poucas roupas. Não é necessário dizer que faziam um bocado de sucesso no circuito mais alternativo.
Também nos anos 50 despontaram os clássicos do cinema B: aliens, monstros d’além mar, criaturas mutantes, vampiros, homems e mulheres sanguinários, loucos de todos os tipos, filmes com experiências laboratorias mal sucedidas, com pessoas que aumentam ou encolhem e até zumbis, mas não apresentados com esse nome. É nessa década que surge o rei dos filmes-B: Roger Corman. Corman continua sendo até hoje uma referência para quem gosta de cinema de ficção científica ou terror.

Os filme-B não morreram, e continuam sendo feitos em todos os cantos. Aqui no Brazil ainda temos o Zé do Caixão na ativa, tínhamos Afonso Brazza e mais uma série de outros pequenos realizadores. Hoje em dia filmes de baixo orçamento acabam sendo chamados de alternativos, indie pelos americanos, e filmes-B aqueles cujo roteiro e a produção deixam a desejar. O melhor exemplo ( não exatamente em qualidade) de estúdio especializado em filmes B que eu consigo lembrar agora é a Troma, que de um certo modo continua firme e forte.
Bom, tudo isso era para dizer que o site AMC tem uma bela seleção de filmes-B online na sessão B-Movies. E o melhor é que todos podem ser assitidos online por nós brasileiros (coisa que não acontece em sites como Hulu e Veoh). Ótima dica para quem já explorou todo o arquivo de filmes-B no Internet Archive. Claro que o AMC tem vários filmes que estão disponíveis no Archive há algum tempo, mas tem também algumas outras pérolas. O arquivo deles não é lá muito grande, mas já garante vários dias de diversão.
Navegue através das categorias ação/aventura, comédia, crime/suspense, terror, ficção científica e faroeste, escolha o título que mais te atrai, porque há vários títulos ótimos, e embarque na diversão.Minhas sugestões para começar: Carnival of Souls e Dark Star de John Carpenter. Aproveite e assista essa comédia de ficção científica logo abaixo.
Para saber mais sobre filmes-B, eu sugiro uma leitura rápida e e agradável, A Outra Face de Hollywood: Filme B de A. C. Gomes de Mattos. Li esse livro há alguns anos e gostei bastante. O autor fez uma bela pesquisa e soube condensar, criando uma bela introdução a esse tipo de filme. No final do livro ele lista as séries e alguns dos filmes produzidos entre as décadas de 30 a 50.
http://c.brightcove.com/services/viewer/federated_f8/1119352258






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