
Uma das grandes homenageadas da 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo é a cineasta martinicana Euzhan Palcy, que veio para receber o Prêmio Humanidade, por seu papel fundamental na construção de um discurso contra-hegemônico e inspirador para tantas e tantos cineastas. Palcy é uma pioneira, sendo a primeira mulher negra a receber o Leão de Prata no Festival de Veneza com o Leão de Prata em 1983, aos 26 anos, por Rua Cases Nègres, adaptação do livro de Joseph Zobel.
Eu conversei com a diretora durante a sua participação na mostra e falamos sobre o seu cinema e inspirações cinematográficas. Confira a transcrição da entrevista em vídeo abaixo.
Cinematógrafo: Com o seu primeiro longa metragem você foi reconhecida com diversos prêmios pelo mundo, como em Veneza com o Leão de Prata e com o César de primeiro filme. Como foi para você realizar o seu primeiro filme sendo tão jovem em um país que não tinha uma tradição cinematográfica?
Euzhan Palcy: Quer dizer que foi, quero dizer que a tradição cinematográfica, como um país do cinema, que nós tínhamos uma grande tradição como espectadores, espectadores do espetáculo dos outros e não como autores. Então como todo domingo eu ia ao cinema, após a grande missa, nós íamos ao cinema então víamos muitos filmes assim, especialmente os filmes norteamericanos, muito poucos filmes franceses, mas muitos filmes que vinham dos Estados Unidos. Então eu já tinha muito jovem, já nos meus dez anos eu escrevia minhas pequenas histórias, meus pequenos filmes assim, ainda que eu não pudesse nomear esse trabalho dizendo que eu gostaria de me tornar diretora, que eu gostaria de fazer isso. Diziam que eu queria ser atriz, mas eu dizia que “não não”.
Cinematógrafo: Você cresceu assistindo aos clássicos, ainda que não se visse representada nesses filmes. E você disse em entrevistas que gosta muito do público infantil. Você sabia que há a Mostrinha, aqui na Mostra Internacional de Cinema, com sessões para as crianças, para a criação de um público para o cinema? E nos seus filmes há sempre crianças. Como você vê a influência dos filmes para as crianças? Para você foi um desejo de fazer cinema, mas para as crianças representa hoje muito mais. Como você vê isso?
Euzhan Palcy: Eu tenho o costume de dizer que eu tenho dois grandes amores: as crianças e as pessoas idosas. Eu gosto de todo mundo, não tenho problema, gosto dos outros também. Mas para mim eles são seres muito frágeis. Uma criança é frágil, e ela precisa realmente ser guiado, ela tem tudo para aprender.




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